O consumo de água caiu 30%. O de energia elétrica deve cair 20%. Nos seis últimos anos, práticas ambientalmente corretas tiveram impacto econômico positivo no condomínio Jardim das Pedras, que fica no Jardim Paulista, em Ribeirão. Nem o projeto arquitetônico antigo (feito há 28 anos) nem a população numerosa (cerca de 5 mil moradores) puderam intimidar a prática de projetos que podem ser considerados exemplares para a cidade.
Bastou colocar redutores de pressão nas torneiras e válvulas de descarga econômicas nos apartamentos, por exemplo, para que a conta começasse a cair. Embalados pelo bom resultado, os moradores aprovaram em assembleia a individualização das contas de água. Os novos hidrômetros já foram instalados em cinco dos 13 prédios.
A energia elétrica é outra preocupação dos condôminos. Sensores de lâmpadas foram instalados e agora é a vez dos elevadores passarem por adaptações para gastarem menos. Segundo o síndico do condomínio, Ademar Natal Pedigone, estão sendo instalados inversores de frequência nos elevadores. Eles garantem que apenas um dos equipamentos se desloque quando um morador acessar os botões.
Para custear tanta transformação o segredo foi a criatividade. O condomínio repassou a uma empresa de cobrança cerca de R$ 1,5 milhão em dívidas por inadimplência. A empresa sugeriu a individualização de hidrômetros.
Já os redutores e válvulas foram custeados pela empresa que fez o serviço por meio de um contrato de risco. Os moradores pagaram o serviço com o dinheiro que economizaram na conta de água dos meses seguintes.
“Eu tenho um netinho de dois anos e me preocupo muito com o futuro. Já morei no Ribeirão Verde e vi como o nível de água na recargas do Aquífero [Guarani] caiu. Se não cuidarmos, não vai haver água mesmo”, disse o síndico.
Zona Sul
Entre os novos empreendimentos da cidade, também existe a tendência. O diretor de engenharia da Jábali Aude Construções, Hélcio Elias Filho, disse ontem que a empresa trabalha com vários projetos de construções inteligentes.
Um deles é um prédio voltado a estabelecimentos de saúde na zona Sul da cidade, chamado Clinical Center. O novo edifício terá um reservatório para água da chuva, que será usada na limpeza do prédio. O piso será de um tipo de porcelanato mais fácil de limpar porque absorve menos água. Também foram colocados sensores de lâmpadas para garantir a economia de energia elétrica.
“Qualquer investimento a mais para se ter um prédio ambientalmente correto hoje significa também uma preocupação em baratear o condomínio amanhã”, disse Hélcio.
Ribeirão-pretano usa mais água do que é recomendado
Ribeirão ainda mantém um índice alto de desperdício de água. O consumo considerado ideal pela OMS é de 230 litros de água por dia, mas, em Ribeirão, se consomem 440 litros em média. Em março deste ano, o Daerp revelou que a cidade tem desperdiçado 46% da água que consome, por causa de vazamentos na rede ou desperdício dos usuários. É comum na cidade ver gente usando a água para “varrer” as calçadas.
Empresa trata água antes de lançá-la fora
A Coca-Cola de Ribeirão reduz seu consumo de água desde 2001. Segundo a empresa, há investimentos anuais para o reuso da água.
Luciana Vidal de Oliveira, analista de meio ambiente da empresa, diz que, em um dos projetos, a água usada para a lavagem das garrafas é reusada para lavar caixas plásticas. Antes essa mesma água era dispensada pela empresa.
Luciana afirma que a empresa conta com uma estação de tratamento.
Órgãos brasileiros exigem o tratamento de 80% da água devolvida aos rios. A empresa em Ribeirão, segundo ela, obedece normas da sua sede em Atlanta (EUA), que determina 90% de tratamento.
USO RACIONAL DE ENERGIA
• Use mecanismos de controle de consumo de água, como os hidrômetros individualizados.
• No caso da energia elétrica, sensores de lâmpadas são de fácil instalação e representam economia e praticidade. As lâmpadas só acendem quando alguém se aproxima.
• Os elevadores podem consumir menos energia elétrica se tiverem um inversor de frequência. Quando acionados, somente um se desloca.
• Armazene e aproveite a água da chuva para limpeza ou nas descargas dos vasos sanitários.
• Instale vidros com tecnologia que protegem os ambientes da incidência de raios solares, o que mantém as temperaturas mais frescas e diminui a necessidade de uso do ar-condicionado.
• Revestimentos entre a parede e o acabamento também permitem controle natural da temperatura do ambiente.
• O aproveitamento de energia solar é uma tendência. Placas que absorvem o calor são instaladas no teto e podem ser usadas apenas para aquecer a água ou até para produzir energia elétrica.
Adriana Matiuzo - Jornal A Cidade
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