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22/04/2009    
Sem receio da crise  
Hélcio Elias Filho, diretor da Jábali Aude, concedeu entrevista à revista Revide e fez balanço do setor. Veja a íntegra da matéria, de autoria da repórter Carla Mimessi.

   
   

Apesar de a economia mundial não estar passando por um bom momento, os representantes de empresas do setor estão otimistas quanto ao desempenho do mercado imobiliário em Ribeirão Preto. Admitem que os reflexos da crise afetarão o desempenho da construção civil, mas em intensidade menor do que preconizam os analistas — deve haver uma redução no ritmo das construções, mas o número dos postos trabalho deve ser mantido. "Continuamos contratando em algumas obras. Na região, não creio no desemprego em massa na construção civil", destaca o diretor de engenharia da Jábali Aude Construções Ltda, Hélcio Elias Filho.

Enfrentar a crise, segundo o Hélcio, significa ser criativo, acreditar no próprio negócio e saber esclarecer para o comprador a diferença entre aplicação especulativa e investimento no setor imobiliário. A empresa trabalha com o foco na qualidade, a partir da redução dos custos e do investimento no treinamento dos funcionários. "Se conseguirmos manter esses diferenciais podemos melhorar os prazos e a satisfação dos clientes", afirma o engenheiro.

Conforme Hélcio, o ritmo da construção será menor em 2009, mas se manterá estável. Apesar de todos os fatores negativos que podem influenciar o mercado, o engenheiro acredita que nesse momento de incerteza não tem moeda mais forte que o imóvel.

O sócio-diretor da empresa Habiarte Barc Construtores Associados, Paulo Tadeu Rivalta de Barros, acredita que os postos de trabalho existentes serão mantidos, mas novas vagas deixarão de ser abertas por que os novos lançamentos poderão ser adiados. "O mercado imobiliário brasileiro crescerá menos, pois existe a demanda reprimida e a oferta abundante de crédito, tanto para o financiamento à produção de novas unidades, como para financiar o mutuário final. Isso se aplica aqui em nossa região, que crescerá a taxas módicas, aliviando-se assim pressões indesejadas para aumento de preços de insumos e de mão-de-obra, evitando-se desequilíbrio nos preços finais dos imóveis". Por cautela, a empresa reduziu a velocidade de lançamentos previstos para 2009 e 2010.

Para a Chemin Corp Incorporadora S.A., o cenário continua favorável ao setor. Segundo o gerente comercial da empresa, Márcio de Souza Nogueira, os empreendimentos têm sido comercializados em um bom ritmo. "Em um dos investimentos, já vendemos 60% das unidades; no outro 98% foram comercializados". Como os resultados obtidos têm suprido as expectativas, a empresa não traçou nenhuma nova estratégia comercial. Conforme Nogueira, o melhor aliado de uma empresa em momentos de crise é a solidez. "Temos que transmitir confiança e oferecer um produto que tenha boas perspectivas de valorização", afirma o gerente.

Segundo o diretor do Instituto de Economia da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, Antonio Vicente Golfeto, as expectativas serão "razoáveis" em relação ao resultados obtidos em 2008, quando 41 empreendimentos foram lançados. Para o analista econômico, a região já sofre os impactos da crise, mas é possível passar pela turbulência sem grandes traumas. "Toda crise é um tranco de ajuste e é preciso verificar como ele está sendo feito. Toda transição passa pela redução dos níveis de desperdício que atuam nos custos. Combate-se a crise ajustando-se a produtividade para níveis maiores". Golfeto destaca, ainda, que a queda dos juros significa um bom momento para aplicar em imóveis, sejam novos ou usados.

A expectativa do diretor Regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), José Batista Ferreira, para 2009, é que o segmento cresça em torno de 50% a mais do que o Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB). O dirigente ressalta que são importantes as políticas de longo e médio prazos para que o segmento possa ser mais planejado, de forma que as empresas possam investir em tecnologia. Para ajudar no combater a crise, o Sindicato oferece cursos para a formação de mão-de-obra não áreas em que faltam profissionais qualificados. "Estamos propondo que a Prefeitura elabore políticas públicas para baixa e média rendas. A Cohab deve alterar sua forma de atuar para ficar mais interligada com as outras secretarias", conclui.

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Jábali Aude Construções